quarta-feira, 30 de novembro de 2011

VI Semana do PPLP - Fotos 22/11/11

MESA REDONDA: SEMIÓTICA, CULTURA E LITERATURA POPULAR
 

Profa.Luciana Calado

Profa.Wilma Ribeiro

Profa.Lúcia Firmo


Socorro Cavalcante

CONFERÊNCIA

MEMÓRIA E LITERATURA POPULAR


Profa.Bernardina Freire de Oliveira






VI Semana do PPLP - Fotos 21/11/11







Nelson Barbosa



Medeiros Braga


Marcelo Soares

Prof.Josivaldo Custódio da Silva (UPE)

Marco di Aurélio

Oliveira de Panelas

Manoel Belisario


Prof.Arnaldo Saraiva (Universidade do Porto)


domingo, 20 de novembro de 2011

Lançamento do Livro: Estudos em Literatura Popular II

VI Semana do PPLP - Fotos Abertura

Profa.Lúcia Guerra  (Pró-Reitora Extensão), Profa.Fátima Batista (Coord.PPLP), Prof.Arnaldo Saraiva (Univ. Porto), Profa.Mônica Nóbrega

Abertura da VI Semana do PPLP

Abertura da VI Semana do PPLP

Abertura da VI Semana do PPLP



Prof.Arnaldo Saraiva (Univ. Porto), Profa.Fátima Batista (Coord.PPLP),  Profa.Lúcia Guerra  (Pró-Reitora Extensão), Sônia Sueli (Diretora BC)

Abertura da VI Semana do PPLP


Alunos de Biblioteconomia - UFPB Apresentação Pôster
Alunos de Biblioteconomia - UFPB Apresentação Pôster


Alunos do Curso de Biblioteconomia - UFPB


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

VI Semana de Literatura Popular

UFPB realiza VI Semana de Literatura Popular
Qua, 16/11/2011 - 15:06

Evento, que começa nesta sexta (18), às 9h, no hall da Biblioteca Central, conta com a participação do professor Arnaldo Saraiva, da Universidade do Porto, em Portugal. Durante a Semana serão realizadas homenagens a pesquisadora Maria do Socorro Aragão, ao xilográfo Marcelo Soares e ao cordelista Marco di Aurélio.

Começa nesta sexta-feira (18), às 9h, no Hall da Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba, Campus de João Pessoa, a VI Semana do Programa de Pesquisa em Literatura Popular (PPLP), promovida pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) e Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (DLCV). Na abertura do evento, terá uma homenagem à pesquisadora Maria do Socorro Silva Aragão, ao xilógrafo Marcelo Soares e ao cordelista Marco di Aurélio. Na programação, palestras com os professores Arnaldo Saraiva (Universidade do Porto, Portugal) e Maria de Fátima Batista (UFPB), além de show musical com Marcelo Soares e o grupo Zabumbeiros de Timbaúba.

A sexta edição da Semana do PPLP tem como título “Mil cordéis em um só cordel”. Também na sexta-feira (18), a partir das 14h, no Auditório de Multimeios (1º andar da Biblioteca Central), haverá uma mesa redonda sobre “A linguagem regional da literatura popular”, sob a coordenação da professora Maria do Socorro Aragão. Às 17h, haverá apresentação do poeta José Costa Leite. Na segunda-feira (21), também no Auditório de Multimeios, o professor Arnaldo Saraiva coordenará a mesa redonda “O popular na literatura canônica”. Ele também fará conferência sobre o tema “A narrativa erótica de Guilherme Aquitânia”.

Segundo a coordenadora do Programa de Pesquisa em Literatura, Maria de Fátima Batista, o professor Arnaldo Saraiva, da Universidade do Porto, vem à UFPB não apenas em missão pelo intercâmbio mantido com a Universidade, mas, sobretudo, para firmar acordo de implementação do Erasmus Mundus Joint. “Trata-se de um programa de cooperação acadêmica que beneficiará estudos de doutoramento em Literatura Popular de língua portuguesa com as universidades do Porto, de Estocolmo, de Barcelona, além da própria UFPB”, destacou.


PPLP
O Programa de Pesquisa em Literatura Popular (PPLP) surgiu em 1977, a partir da iniciativa de alguns professores do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (DLCV) da UFPB. Em 2004, foi realizada a primeira Semana PPLP com o objetivo de mostrar os trabalhos produzidos durante o ano pelos pesquisadores vinculados à UFPB. “Além disso, também pretendemos reunir as ex-coordenadoras e pessoas que, no passado, levaram à frente o programa, uma vez que consideramos fundamental sua experiência de vida em nossa caminhada”, acrescentou a coordenadora do PPLP.

Fonte: Agência de Notícias da UFPB - Costa Filho

sábado, 29 de outubro de 2011

Cordel da Semana

Título: Cordel Bibliotecário
Autor: César Obeid (escritor cordelista)

Peço a Deus inspiração
Pra ditar neste papel
De alguém que faz dos livros
O mais belo painel
Em um trabalho diário
Falo do Bibliotecário
Nas minhas rimas de cordel.

Leitura é o universo
Que fascina multidões
Que dá asas para a vida
Nos liberta dos grilhões
Letras são seus santuários
Dos livros os guardiões.

Só através das leituras
Conhecerão meus segredos
Meus sonhos, minhas vontades
Meus caminhos, meus enredos
Minhas dores e alegrias
Sorrisos e fantasias
Minhas vontades e medos

Com os livros são zelosos
E com eles têm ternura
Nos facilitam o acesso
Para o mundo da cultura
Uns dos livros têm ciúmes
Das frases amam os perfumes
Mas sempre amam a leitura.

Incentivam o leitor
Ao novo, ao desconhecido
A um mundo de palavras
E de sonho colorido
Seja homem ou mulher
Sempre descobre o que quer
O seu leitor mais querido

Bibliotecário com livros
Os preservam e empinham
Ao caminho dos leitores
Os seus passos sempre brilham
A leitura é seu sabor
Quando ganham um leitor
Seus olhos e alma brilham.

Também sempre organizam
Todos os bancos de dados
E se responsabilizam
Por tê-los classificados
Informações armazenam
E nenhum querer condenam
Todos são orientados.

Às vezes o seu trabalho
Tem anônimo valor
Isso ao bibliotecário
Nunca, nunca causa dor
Sua luta é ganhar leitores
Ajudar pesquisadores
No efeito multiplicador

Seus caminhos são preciosos
Suas ações são necessárias
Sejam biblitoecas públicas
Infantis, comunitárias
Sejam aquelas populares
Ou então as escolares
Mesmo as universitárias.

Tem os das bibliotecas
Que são especilizadas
Para uma área restrita
As coleções são voltadas
Novo mundo pode ver
Orientando o saber
Com pesquisas detalhadas

Eles que nos facilitam
O encontro da informação
Mais do que arrumar estantes
é a total transformação
Da arte para cência
Todo dia uma experiência
Entra em seu coração.

Comum é os bibliotecários
Promoverem oficinas
Exposições e sessões
De leitura superfinas
Encantando com histórias
Retiradas das memórias
Os meninos e meninas.

E na era da Internet
Em que tudo é progresso
E nesse mundo Higt-tech
Será que eles têm ingresso?
Não importa muito o meio
Eles ofertam o passeio
Pra todos terem acesso.

Mas não são somente flores
No dia dos bibliotecários
Muito trabalho estressa
E também baixos salarios
Fazer os investimentos
Para os reconhecimentos
Sempre serão necessários

Mas com amor vão levando
E nunca perdem o pique
O universo da leitura
Para eles são o tique
Lutam pra que a nação
Seja justa e então
Mais harmônica ela fique

Vou parar o meu cordel
Com amor e alegria
Mas o verso bem rimado
Sempre, sempre prestigia
Quem adora os glossários
Salve os bibliotecários
Adeus, até outro dia

A Lei Maria da Penha em Cordel

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Salgueiro define o samba-enredo para 2012

O Salgueiro é a terceira escola do Grupo Especial a definir o samba-enredo para 2012. Depois da maratona que começou na noite de terça-feira só terminou por volta das 5h de ontem, a Vermelha e Branca escolheu a parceria assinada por Marcelo Motta, Tico do Gato, Ribeirinho, Dílson Marimba, Domingos PS e Diego Tavares. O enredo Cordel Branco e Encarnado, dos carnavalescos Renato e Marcia Lage, vai falar do Nordeste a partir da literatura de cordel.
Linda num vestido vermelho, a Rainha Viviane Araújo brilhou à frente dos ritmistas. Apesar de ter recebido a maioria esmagadora dos votos, o samba vencedor não era o preferido da presidente da escola da Tijuca, Regina Celi, nem do mestre da bateria, Marcão, que escolheram a composição de Xande de Pilares, cantor do grupo de pagode Revelação.
O compositor Ribeirinho participou do concurso na escola pela primeira vez, depois de passar oito anos da Beija-Flor, onde faturou a disputa duas vezes. "Essa vitória foi uma surpresa muito grande. Não esperava chegar tão bem assim no Salgueiro. Meu jeito de fazer samba era diferente, porque na Beija-Flor o modo de compor é outro", afirmou ele, que listou as principais qualidades do hino campeão. "É um samba como há muito tempo não se via no Salgueiro. A melodia é linda e os refrões são fortíssimos".
Há nove anos no Salgueiro, Renato Lage exaltou a força do enredo: "É um tema de grande apelo popular. Vamos exaltar a cultura nordestina e a literatura de cordel, que está muito presente na vida das pessoas. O objetivo é fazer uma louvação aos poetas cordelistas com muita poesia".
Amanhã, Portela, São Clemente e Porto da Pedra escolhem seus sambas para o próximo ano.
APRENDA A LETRA
"Sou cabra da peste
Ô, minha ‘fia',
Eu vim de longe pro Salgueiro
Em trovas, errante, guardei
Rainhas e reis e até
Heroico bandoleiro
Na feira vi o meu reinado
Que surgia qual folhetim,
Mais um ‘cadim', vixe maria!
Os 12 do imperador
Que conquistou
O romanceiro popular
Viagem na barca,
A ave encantada
Amor que vence na lenda
Mistério pairando no ar
Cabra macho justiceiro
Virgulino é Lampião!
Salve, Antônio Conselheiro,
O profeta do Sertão
Vá de retro, sai assombração
Volta pra ilusão do Além
No repente do verso
O ‘bicho' perverso
Não pega ninguém
Ô, meu ‘padinho',
Venha me abençoar
Meu santo é forte,
Desse ‘cão' vai me apartar
Quero chegar ao céu
Num sonho divinal...
É carnaval! É carnaval!
Salgueiro, teus trovadores
São poetas da canção
Traz sua Côrte,
É dia de coroação
Não se ‘avexe', não
Salgueiro é amor
Que mora no peito
Com todo respeito,
O rei da folia
Eu sou o cordel
Branco e encarnado
‘Danado' pra versar
Na Academia"
Fontes: one.meiahora.com e www.salgueiro.com.br ; http://cordelparaiba.blogspot.com/

PALESTRA - “Literatura de cordel na sala de aula”

Na I SEMANA DO LIVRO E DA BIBLIOTECA realizada em conjunto com a Semana de Ciência, Tecnologia, Arte e Cultura da UFPB - SECITEAC / 2011 terá oficinas, palestras e muito mais... 


PALESTRA: “Literatura de cordel na sala de aula”

Data: 19 de outubro de 2011
Horário: 19h00 hs
Local: Auditório 211 do CCSA
Palestrante: Prof. Josivaldo Custódio (UFPE)

Compareçam!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Livreto em forma de cordel informa população sobre o mal de Alzheimer

Versos simples, linguagem popular e palavras rimadas. A tradicional fórmula da literatura de cordel foi a arma escolhida pelo neurologista Gutemberg Guerra para ajudar a população no combate ao mal de Alzheimer. A proposta do médico foi fazer com que as informações sobre a doença, como sintomas e tratamento, fossem simplificadas e pudessem chegar ao maior número de pessoas. Em princípio, o livreto, intitulado A história da demência, será distribuído em unidades de saúde pública referências no tratamento da doença em Pernambuco.

De acordo com a Academia Brasileira de Neurologia (ABN), o Alzheimer atinge 7% da população entre 60 e 90 anos. O mal de Alzheimer é uma doença degenerativa que atinge os neurônios. Por fatores biológicos, a partir dos 30 anos o ser humano começa a perder as células responsáveis pela condução dos impulsos nervosos, mas é depois dos 60 que a situação costuma começar a ficar crítica. No Brasil, de 1999 a 2008, o número de pessoas acometidas pela doença aumentou vertiginosamente: passou de 1.343 para 7.882 — um aumento de impressionantes 486%.

A patologia altera a capacidade cognitiva das pessoas em funções como memória, linguagem e habilidades visuais e espaciais, provocando mudanças de comportamento. Em mais da metade dos casos os sintomas são ignorados pelos pacientes e pelos familiares.

Diretor clínico do Prontolinda e coordenador do Ambulatório de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital Geral de Areias, Gutemberg Guerra descreve no livreto os 10 sintomas mais comuns da doença, em situações do dia a dia, partindo do esquecimento constante que começa a ser experimentado no início do Alzheimer. “O cordel é fruto das conversas nos consultórios. Retrata experiências de pessoas que vivenciam a doença diariamente”, disse o especialista.

A falta de conhecimento sobre a doença é apontada por ele como a principal causa do avanço do Alzheimer. “Existe muito material sobre a doença, mas todos com uma linguagem técnica, que acaba afastando as pessoas. Por isso a ideia do cordel, para colocar no popular uma doença tão séria”, explica Guerra. Em muitos casos, avalia, quando o paciente resolve procurar o médico a doença já se encontra em um estado muito avançado, tornando mais difícil o tratamento.

CONHECIMENTO Adquirir informações sobre o Alzheimer foi decisivo para garantir à dona de casa Maria Thereza da Silva, de 77 anos, e a suas filhas uma melhor qualidade de vida durante a convivência com a doença. “Descobrimos que minha mãe tinha a doença há seis anos. Notamos que ela estava esquecendo muitas coisas. Procuramos muitos médicos, até achar um que nos deu o diagnóstico definitivo”, conta uma das filhas, a aposentada Eliana da Silva, de 55. Ela sabe que o apoio familiar é fundamental para o controle do Alzheimer. “O mais importante é buscar informações para saber lidar com a nova realidade, pois só assim você poderá oferecer melhores condições para o paciente”, recomenda.

O mal de Alzheimer não é uma doença hereditária, mas o neurologista Gutemberg Guerra afirma que ter alguém da família com o problema aumenta as chances de que os parentes de primeiro grau também venham a ter a doença. É impossível de prevenir, mas pode ter os sintomas controlados. O tratamento da doença é feito com o uso de medicamentos, mas sobretudo com a integração de especialistas da área de terapia ocupacional, geriatria, fonoaudiologia, neuropsicologia e enfermagem. “O cérebro depende de um ambiente estimulante, ou seja, não são só os remédios, mas o cuidado integrado que faz a diferença no sucesso do tratamento”, diz o neurologista.

ALZHEIMER NO BRASIL
De 1999 a 2008, o número de vítimas no país passou de de 1.343 para 7.882 — um aumento de impressionantes 486%.

Sintomas
Perda de memória de curto prazo
Dificuldade de concentração
Desorientação de tempo e espaço
Dificuldade em reconhecer e identificar objetos
Problemas de linguagem e dificuldade de fala
Dificuldades na execução de movimentos
Incapacidade para julgar situações
Perda de iniciativa
Agressividade
Delírios

Fonte: Academia Brasileira de Neurologia (ABN)

TRECHOS
A história da demência


No passado se dizia
Do sujeito adoentado
Que o cristão ficou gagá
Caduco ou esclerosado
Que era coisa de velho
Não era pra ser tratado

Mas demência é doença
Não é coisa que se inventa
Vai chegando devagar
Que o sujeito nem comenta
Quando vê já tá trocando
Nota de cem por cinquenta

(…)

A patroa pela casa
Não lembra de apagar a luz
Esquece feijão no fogo
Faz ganância no cuscuz
Bota sal na goiabada
Perde mais do que produz

Paga conta duas vezes
Ou esquece de pagar
Compra do que não carece
Farinha deixa faltar
Guarda roupa no fogão
Depois não sabe onde está

Autor: Gutemberg Guerra


7% - Índice da população brasileira entre 60 e 90 anos que sofre com o mal de Alzheimer, segundo a Academia Brasileira de Neurologias

30 anos - Idade a partir da qual os seres humanos começam a perder neurônios (embora a situação só comece a ficar crítica a partir dos 60)

FONTE: DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR - 04/10/2011

domingo, 16 de outubro de 2011

Cordel da Semana

HOMENAGEM AO DIA DO PROFESSOR*

Migro pelo universo
No reverso do que sou
Para descrever em verso
O dia do Professor
Incluindo ele e ela
O signo MESTRE revela
Num sentido mais profundo
A constância de um querer
Arquitetando um saber
Na estrutura do mundo

Não seja apenas durante
A passagem desse dia
Mas, que perdure adiante
Essa homenagem sadia
Que toda a humanidade
Tome sensibilidade
E consciência do amor
E sinta na substância
O valor, a importância
Da função de Professor.

Mais que ator e atriz
No espetáculo da sala
Procura fazer feliz
A geração a quem fala
Às vezes estira o passo
E mediante o cansaço
Se vale da devoção
Supera a corrida louca
Busca força onde tem pouca
Mas cumpre sua missão.

Enfrenta horas de pico
Nos valores de um querer
E muitas vezes faz bico
Pra poder sobreviver
Mas, o poder, sem piedade,
Nega ao povo, na verdade,
O saber que ele merece
E o poderoso malvado
Torna o povo alienado
E ao professor desconhece.

O mandante vive rindo
No paraíso de Adão
Desfrutando e se nutrindo
Para os tempos de eleição
Muita conversa bonita
Promessa e banda que agita
Para melhor convencer
Custe o preço que custar
Tudo ele pode gastar
Pra se manter no poder

O povo padece as dores
Por ele não tem ninguém
Senão esses professores
Que o valorizam tão bem
Nas vastas salas de aula
Nos lugares onde falam
Com muita simplicidade
A mensagem de ação
Faculta ao povo a noção
Da sua realidade.

Enquanto o mestre prepara
As aulas com mui labor
O mandante fecha a cara
Pra punir o professor
Faz-lhe a vida complicada
Aumenta sua jornada
Tira gratificação
Mas o mestre não se abate
Embora o salário falte
Se orgulha da profissão.

O Professor tem a luz
Que vem das auras silvestres
Descendente de Jesus
Que foi o mestre dos mestres
Provou que o ensino muda
O conhecimento ajuda
Na constante evolução
Que funciona mudando
Pra mudar funcionando
Conforme a superação.

O exemplo da grandeza
De São Francisco de Assis
Que buscou na natureza
Um modo de ser feliz
Ao falar aos animais
Do jeito que um mestre faz
Dinamizando harmonia
Da vida una e serena
Embala o ecossistema
Com suma sabedoria.

Outros Mestres, cuja chama
Ao mundo iluminou
Buda, Confúcio e Brahma
Fraternas luzes de amor
E outros sábios da história
Que marcaram na memória
Os grandes ensinamentos
Paulo Freire, o Professor
Na voz do povo o valor
E na palavra o alimento.

Converte em felicidade
O que seriam agruras
Prepara a sociedade
Para as gerações futuras
Desde que a gente é criança
Vem dos Mestres a substância
Fruto da experiência
Ensina e também aprende
E o aluno compreende
A sua eficiência.

Mas, às vezes, seu dilema
Sensivelmente extravasa
Vem aluno com problemas
Originados em casa
O professor acha um jeito
De corrigir o defeito
Deixando a tal questão pronta
Mas essa pessoa crua
Às vezes, o vê na rua
Mas nem sequer lhe fez conta.

Somente a educação
Traz ao povo o seu valor
O novo e a tradição
Pela voz do Professor
Êta, que profissão bela!
Tanto dele quanto dela
Gêneros unificados
Deles depende o futuro
Esses Heróis tão seguros
Merecem ser respeitados.


Viva o Dia dos Mestres!
....................................................................
João Pessoa, PPLP - 14. 10. 2011
(*) Nélson Barbosa de Araújo
Doutor em Letras

sábado, 1 de outubro de 2011

Cordel da Semana

Título: Diga não ao horário de verão
Autor: Antonio Barreto


Essa idéia anacrônica
De alterar o fuso horário
É uma forma do governo
Ajudar ao empresário
Mas o povo de bom tino
Sabe que é desnecessário.

II

No Brasil não tem otário
Pra viver de imitação
Porque gente esclarecida
Aqui temos de montão
Então vamos boicotar
Esse Horário de Verão.

III

Esse Horário de exclusão
Alterando o dia-dia
Com o pretexto de auxílio
Para a nossa economia
É mentira mentirosa
Além de demagogia.

IV

Eu digo “Estraga Verão”
Nome bem apropriado !
Porque quando o galo canta
O pobre já tá acordado
Pra tomar o seu buzu
E sair desmotivado.

V

O patrão, muito folgado
Acorda tranquilamente
Por volta das 8 horas
Muito descansadamente
E só chega às 10 e meia
Para o seu expediente.

VI

E a criança inocente
Deveras sacrificada
Brigando com o fuso horário
Acorda na hora errada
Para estar dentro da escola
Ainda de madrugada.

VII

Esse horário então enfada
Nosso povo varonil
A classe trabalhadora
De Norte a Sul do Brasil
Que não deve mais sofrer
Com esse plano tão hostil.

VIII

A estação primaveril
Já começa com o calor
Depois o sol escaldante
Do verão abrasador.
O patrão fica sorrindo,
Sobra pro trabalhador !

IX

Perde muito o agricultor
De toda a zona rural
Já que a sua atividade
Não é artificial
Pois a sua produção
É pela luz natural.

X

O Governo Federal
Sabe que é um paliativo
Alterar o fuso horário
Sem razão e sem motivo.
Então deve o governante
Pensar bem no coletivo.

XI

Esse horário punitivo
Interfere de montão
No atendimento a bancos,
Nas viagens de avião,
De navio, de trem, de ônibus;
No rádio e televisão...

XII

Esse horário de Verão
Deveria ser brioso
Mas conforme as estatísticas
É deveras acintoso
Em vez de ser lucrativo
É mais que fantasioso.

XIII

Tal horário é desastroso,
É verdade, não invento
Porque ele economiza
Apenas quatro por cento.
Então chega de mentira
E tanto aborrecimento.

XIV

Quem possui discernimento
E também sabedoria
Sabe bem que o Ministério
Das Minas e Energia
Deve então racionar
É a sua anatomia !

XV

Chega de tanta utopia
Nesse Brasil de chacinas
De “roubanças”, injustiças
De buracos, de ruínas,
De tanto disse me disse
Que fere minhas retinas.

XVI

Não entendo “patavinas”
Desse ”horário oferenda” !
Vou pedir a Jaques Wagner
Que logo nos compreenda
E deixe nossa Bahia
Longe dessa reprimenda !

XVII

Eu quero ver quem desvenda
Os mistérios de Brasília.
Quem vai racionar salário
Quem vai ficar de vigília
Quem vai apagar as luzes
Quem vai comprar uma ilha !

XVIII

Gostei do Bolsa-Família
Porém quero muito mais.
Quero ver muitas usinas
Ao invés de carnavais !
E o Horário de Verão
Nos braços do Satanás !

XIX

Sei que Dilma é capaz
Na arte de governar
Expulsou aventureiros
Que queriam “racionar”.
Então desse “horário novo”
Peço para nos livrar.

XX

Eu não vou adiantar
Uma hora a todo dia
Vou deixar o meu relógio
Trabalhar em harmonia
Pois somente o empresário
Vai gostar dessa folia.

XXI

Chega de Filosofia
Cada qual na sua cabine
Que a vida me prepare
Que a Lua nos ensine
Que o Brasil tome “juízo”
Que o Sol nos ilumine !

XXII

Enquanto ninguém define
Vou dizendo sem demora:
Desse Horário de Verão
Nenhum brasileiro adora
Com exceção dos empresários
Que querem vê-lo na tora !

XXIII

Vou adiantar uma hora
Para ver o trem passar...
O Trem que não é das Onze
É um trem que vai chegar
Bem cheio de Consciência
Pra todo Parlamentar !

XXIV

Barreto vai retornar
A qualquer hora do dia
Reclamando do governo
Reclamando com harmonia
Esperando que o Brasil
Trate o seu filho gentil
Oferecendo alegria.

FIM
Salvador, 01/10/2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

"Bate papo com o Autor"

Caros amigos, especialmente os residentes no Recife e região metropolitana,



Próximo sábado, 1º de outubro, às 16 horas, estarei fazendo um "Bate-Papo com o Autor", na VIII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, no estande "Causos e Cordéis Bodega Cultural", coordenado pelos poetas Ismael Gaião e Felipe Júnior.

O tema central será o livro recém admitido no PNBE, "O Quilombo do Encantado", editado pela Conhecimento Editora, com ilustrações de Jabson Rodrigues. Mas pretendo conversar sobre outras coisas, declamar uns cordéis e até cantar um pouco.

Será um prazer encontrá-los lá.

Marcos Mairton

PALESTRA: A LITERATURA POPULAR EM DEFESA DOS ANIMAIS

Atenção, meus amigos! nesta sexta, dia 30 de setembro de 2011, às 14:00 horas, estarei proferindo uma palestra sobre A LITERATURA POPULAR EM DEFESA DOS ANIMAIS, no Centro de Vivência da UFPB, em evento intitulado: I SEMANA DA CONSCIENTIZAÇÃO ECOLÓGICA: OS ANIMAIS E A RESPONSABILIDADE SOCIAL. Durante a palestra haverá recital e o músico e compositor JEOVAN MORAIS estará fazendo Show, apresentando músicas pertinentes ao evento. Convidem os amigos, familiares ets, por favor, porque vai ser muito divertido e proveitoso. Quero vê-los lá. Tugueduguedugue... Um abraço de Nelsão.

domingo, 25 de setembro de 2011

Literatura de Cordel: Continuity and Change in Brazilian Popular Literature

Symposium: September 26-27, 2011
Thomas Jefferson Building, Room 119
10 First Street, SE
Washington, DC


A Volta Do Cangaceiro Lampião — via Internet (The Bandit Lampião Returns — by Internet) by Marcelo Soares. Timbaúba, Pernambuco: Folhetaria Cordel, 2005. Woodcut by the author. Literatura de Cordel Brazilian Chapbook Collection (AFC 1970/002: M 07702) American Folklife Center, Library of Congress.

 

The American Folklife Center at the Library of Congress is sponsoring a free, two-day symposium entitled Literatura de Cordel: Continuity and Change in Brazilian Popular Literature. Presentations will focus on the history of literatura de cordel, a form of popular literature from northeastern Brazil, as well as accompanying traditions. These include the composition of poems, lyrics, and stories; the creation of woodblock images; and performances inspired by literatura de cordel. Co-sponsors for the event are the Hispanic Division and the Rio de Janeiro Office of the Library of Congress, as well as the Embassy of Brazil in Washington, DC. Additional support and assistance is provided by the Library's Poetry and Literature Office.

"Literatura de Cordel: Continuity and Change in Brazilian Popular Literature," will draw attention to the American Folklife Center's collections of literatura de cordel, which are among the most extensive in the world. The symposium will also explore the artistry, narrative, and iconography of cordel in order to examine the tradition during the recent past, and to encourage research on these compelling collections. Noted scholars of cordel will be featured, as will the artistry of cordel poets, singers, and woodcut artists. The symposium is timed to coincide with this year's Organization of American States' Inter-American Year of Culture.

The free two-day public symposium will take place on Monday, September 26 and Tuesday, September 27, 2011 in Room 119 on the first floor of the Library's Thomas Jefferson Building, 10 1st Street S.E., Washington D.C. Attendance at the symposium is free of charge, but registration is required

Fonte: www.loc.gov/folklife/Symposia/litcordel/ via Cordel Paraíba

Imagem: correiodatarde.com.br

Saiba fatores que tornaram Cordel Encantado um sucesso

Saiba fatores que tornaram Cordel Encantado um sucesso 

Cordel Encantado" chega ao fim nesta sexta-feira (22), mas vai deixar saudades.
A novela da Globo subverteu a lógica de que o público das 18h é conservador e abusou do experimentalismo.
Com produção impecável, não só manteve a audiência como conquistou telespectadores que não estavam habituados ao horário.
A trama de Duca Rachid e Thelma Guedes bateu diversas vezes na casa dos 30 pontos, fato raro para a faixa nos últimos tempos.
Ganharam as autoras, que terminam a novela com prestígio em alta, a emissora, que provou que --quando quer-- sabe fazer produtos de qualidade, e, principalmente, o público, que se deliciou com as histórias de Brogodó e Seráfia e de seus moradores fantásticos.
Veja cinco fatores que tornaram a novela um sucesso:

A ABERTURA
A novela se destacou por vários motivos, começando pela abertura. A animação com imagens que remetem à literatura de cordel tem tudo a ver com a temática sertaneja. Acompanhada pela bela canção "Minha Princesa", composta por Gilberto Gil e cantada por ele e por Roberta Sá, acabou se tornando uma das mais inventivas --e belas-- dos últimos tempos.

O ELENCO
Fazia tempo que não se via na televisão um elenco tão inspirado. Todos os atores estavam bem em seus papéis. Houve críticas apenas no começo da trama ao sotaque "nordestino" do casal de protagonistas, mas nada que atrapalhasse o desempenho da novela. Destaque para Bruno Gagliasso, Débora Bloch (foto) e Domingos Montagner, que emocionaram o público.

O FIGURINO
Comandada pela figurinista Marie Salles, a equipe de artesãs e bordadeiras da própria Globo desenvolveu as peças usadas pelos personagens, incluindo os 720 vestidos usados pelas mulheres de Seráfia. Os acessórios também chamaram a atenção. As coroas estiveram entre os itens mais procurados na Central de Atendimento ao Telespectador da emissora.

A FOTOGRAFIA
Primeira novela gravada em 24 quadros, a trama ficou com cara de cinema também pelo uso de lentes especiais. Houve ainda a ajuda das belas locações, na França e em Sergipe. O diretor de núcleo Ricardo Waddington chegou a afirmar no começo das gravações que a fábula da princesa Aurora (Bianca Bin) pedia um tratamento de imagem diferenciado.

O TEXTO
A mistura de elementos de cangaço e de contos de fadas deu liga. Duca Rachid e Thelma Guedes (foto) souberam costurar com delicadeza a colcha de citações, que foram de João Cabral de Melo Neto a "O Homem da Máscara de Ferro". Também foi encantador embarcar na fantasia das autoras por um tempo, fugindo do naturalismo da maioria das tramas atuais.

Fonte:  www.pbagora.com.br via Cordel Paraíba

Cordel ‘renasce’ e nordestinos ganham mais espaço em Ribeirão

Cordelistas abusam do bom humor para ilustrar histórias do cotidiano e também fatos históricos

Alagoano José Ferreira Andrade teve primeiro contato com o cordel aos 11 anos, numa feira de Olho D’Água

Alagoano José Ferreira Andrade teve primeiro contato com o cordel aos 11 anos, numa feira de Olho D’Água

Frases curtas e rimadas. Uma história enxuta, mas que vai fundo no recado. Com muita irreverência dos autores, na grande maioria nordestinos radicados em Ribeirão Preto, a literatura de cordel está ganhando espaço na cidade. Há quase um ano, projeto é realizado no Parque Maurílio Biagi, na zona Oeste.

O local recebe produtores da rica literatura e curiosos, que nos últimos meses aumentaram bastante. "Por causa da novela [Cordel Encantado, da Rede Globo], muita gente se interessou por esta cultura. Cabe agora a nós, produtores, não deixar isso acabar", diz Carlos Tampa, um dos responsáveis pelo trabalho no parque.

Tampa é bastante conhecido no meio musical, principalmente por conta dos repentes, mas o cordel foi seu primeiro trabalho, ainda no interior de Pernambuco, seu estado natal.

"Quando comecei a trabalhar, ainda muito jovem, vendia macaxeira na feira, em Goiana-PE. Aprendi a fazer cordel para atrair os clientes", afirma Tampa, hoje com 47 anos.

Cara nova

Outro que teve acesso ao cordel nas feiras nordestinas foi José Aparecido Ferreira de Andrade, 32, que está em Ribeirão há apenas cinco meses. Ele veio de Olho D’Água da Flora (AL).

"Tinha 11 anos quando vi o cordel pela primeira vez. Eu fui à feira e vi um homem com uma violinha fazendo cordel. Esqueci até o que minha mãe havia pedido para comprar", afirma.

Ferreira de Andrade ainda não conhece o grupo de Ribeirão Preto, mas diz que irá participar do próximo encontro. "Não sabia que existia, agora vou procurar. Quero mostrar o que tenho de material", comenta.

Mistério

Os cordelistas apontam um dos segredos utilizados para conseguir comercializar os trabalhos produzidos: o mistério.

"Lembro, quando era criança, dos cordelistas começarem a contar a história e depois falarem: ‘se você quer saber o final, compre o cordel’. Isso me dava muita raiva, mas hoje também faço", diz Ferreira de Andrade.

Tampa diz que também ficava curioso no começo, mas que hoje é adepto da famosa frase utilizada pelos cordelistas.

"A cultura oral é muito forte, por isso precisamos chamar a atenção", diz.

O cordelista também comenta que o cordel é uma ótima ferramenta de inclusão. "No cordel, mesmo quem não sabe ler participa, já que ele pode escolher o cordel e passar para os ‘homens da corda’, como são conhecidos os cordelistas, lerem", afirma Tampa.

As histórias agradam ao público que já esteve acompanhando o projeto no Maurílio Biagi.

"É muito divertido e curioso. Fiquei impressiona com a facilidade e riqueza das histórias", diz a vendedora Sônia Regina Freitas Barbosa, 33.

Fonte: www.jornalacidade.com.br via Cordel Paraíba

CTN divulga resultado do concurso Festival de Cordel

O Centro de Cultura Nordestina de São Paulo-CTN divulgou os vencedores do Concurso Festival de Cordel. O primeiro lugar ficou com o cordelista baiano, radicado em São Paulo, Varneci Nascimento. Abaixo, a relação completa dos premiados:

RESULTADO DO CONCURSO "FESTIVAL DE CORDEL"

A Comissão Julgadora do1º. Concurso CTN de Literatura de Cordel promovido pelo CTN divulga a relação dos vencedores:

  • 1º Lugar para o cordel intitulado "A saga do nordestino em São Paulo" de autoria de Varneci Nascimento;
  • 2º Lugar para o cordel intitulado "Primeira Vez" de autoria de Francisco Pereira Gomes;
  • 3º Lugar para o cordel intitulado "Um Zé Nordestino na cidade de São Paulo" de autoria de Marcos Antônio de Andrade Medeiros.Além destes vencedores, a Comissão Julgadora também selecionou outros dezessete cordéis, conforme Regulamento:
  • "Martírio dos Nordestinos na Capital Bandeirante" de autoria de Marciano Batista de Medeiros;
  • "A presença nordestina no Estado de São Paulo" de autoria de Júnior Vieira;
  • "A Marca Nordestina em São Paulo" de autoria de Luiz Moraes Santos;
  • "Nasce o homem iludido, nas barrancas do sertão" de autoria de Miguel Francisco Jacó de Souza;
  • "Na Base da Saia Curta" de autoria de Sidnei Pereira Benevides;
  • "Nordestino Aventureiro" de autoria de Ruth Hellmann Claudino;
  • "A capital nordestina!" de autoria de Odila Schwingel Lange;
  • "A odisseia nordestina na terra dos bandeirantes" de autoria de Hélio Alexandre Silveira e Souza;
  • "São Paulo: a capital nordestina" de autoria de Alice Fernandes de Morais;
  • "Da seca do nordeste à capital paulistana" de autoria de Edilson de Oliveira;
  • "Paulistano Nordestino" de autoria de Damião Batista de Moura Sena;
  • "O legado nordestino na terra Piratininga" de autoria de Marcos Antônio de Andrade Medeiros;
  • "Torcicolo cultural" de autoria de Bárbara Esmenia;
  • "A Presença Nordestina na Cidade de São Paulo" de autoria de Maurício Fonseca dos Santos;
  • "A Presença Nordestina na Cidade de São Paulo II" de autoria de José Carlos Paulo da Silva;
  • "A presença nordestina na capital paulistana" de autoria de Isaura Melo;
  • "A presença nordestina na cidade de São Paulo I" de autoria de José Carlos Paulo da Silva.Os cordéis acima relacionados formarão um box contendo as 20 melhores obras selecionadas neste concurso e serão publicadas e distribuídas gratuitamente a entidades culturais, bibliotecas e também na rede pública de ensino do Estado de São Paulo.
    Fonte:   Cordel Atemporal via Cordel Paraíba

  • sábado, 24 de setembro de 2011

    HOMENAGEM: GERALDO AMÂNCIO HOMENAGEIA O FALECIDO POETA JOSÉ ALVES SOBRINHO

    O cantador paraibano José Alves Sobrinho foi um dos maiores repentistas de todos os tempos no mundo da cantoria e um respeitado pesquisador da cultura do repente e da Literatura de Cordel. Em parceria com o professor Átila de Almeida, também falecido, lançou uma obra fundamental para a pesquisa dessas duas vertentes: O Dicionário Bio-Bibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancada, publicado em dois volumes pela Editora da UFPB

    O poeta GERALDO AMÂNCIO, admirador confesso de José Alves Sobrinho, que faleceu aos 90 anos no último dia 17 de setembro, em Campina Grande-PB, prestou-lhe uma sentida homenagem nesse texto a seguir:

    "A cantoria existe há quase dois séculos no Brasil,  nesse campo já passaram milhares e milhares de cantadores. Na minha avaliação, na minha ótica e pela a experiência que tenho ao longo dos anos, não houve até hoje ninguém que superasse o talento de José Alves Sobrinho. Isso eu tive a felicidade de dizer ao mesmo. José Alves Sobrinho, formou com Dimas Batista a mais perfeita dupla de cantadores que o mundo ouviu. É de nossa autoria a antologia"de repente cantoria" cujo prefácio foi feito de uma carta que o referido poeta me mandou. Para não ser muito prolixo, vou deixar postadas aquí duas estrofes desse imortal menestrel que nunca teve a fama que mereceu.

    Cantando com o poeta Gerson Carlos,  num festival em Cajazeiras -PB, foi solicitado seguinte mote em homenagem ao prefeito Quirino: Só Quirino enlargueceu, a rua José Tomaz. Eu ouví pelo rádio e memorizei essa obra prima de improviso.

    ERA FRACA A SIMETRIA
    DA RUA QUE ERA MAL FEITA,
    ALÉM DE TORTA ERA ESTREITA
    AO TRÂNSITO INTERROMPIA.
    TODO MUNDO PROMETIA
    MAS QUEM PROMETE NÃO FAZ,
    VEIO QUIRINO UM BOM RAPAZ
    FEZ O QUE NÃO PROMETEU,
    SÓ QUIRINO ENLARGUECEU
    A RUA JOSÈ TOMAZ.

    O grande poeta cantava numa casa, onde estavam comemorando o aniversário do pai e do filho, ele magistralmente constrói essa sextilha:

    TEMOS DOIS ANIVERSÁRIOS
    COM IDADES DIFERENTES,
    O PAI ENTRE OS PECADORES,
    O FILHO ENTRE OS INOCENTES,
    O PAI MUDANDO OS CABELOS,
    O FILHO MUDANDO OS DENTES

    Posso afirmar sem medo de errar, que cantando de improviso mesmo, na safra atual não há ninguém com o talento de um José Alves Sobrinho. Que Deus o acolha no mais sublime dos reinos.

    Geraldo Amancio.

    O Dicionário é uma referência obrigatória na pesquisa do cordel e da cantoria

    VER TEXTO COMPLETO AQUI: www.acordacordel.blogspot.com

    domingo, 18 de setembro de 2011

    LUTO - MORRE EM CAMPINA GRANDE-PB AOS 90 ANOS O POETA JOSÉ ALVES SOBRINHO

    Morre aos 90 anos o poeta José Alves Sobrinho, vítima de complicações de um câncer o poeta morreu neste sábado dia 17 de setembro na cidade de Campina Grande-PB.






    Foto: O poeta José Alves Sobrinho , o primeiro, à esquerda da foto.


    José Alves Sobrinho: Poeta popular paraibano; pesquisador do cordel e da cultura popular. Fez uma parceria importante com o professor e pesquisador (falecido) Átila Almeida, pesquisando em todo Nordeste sobre o cordel. Ex- cantador de viola. Chegou a perder a voz depois recuperou. Funcionário aposentado da Universidade Federal da Paraíba. (Campina Grande-Pb). Lá organizou juntamente com o professor Átila um arquivo por volta de 5 mil folhetos de cordel. Deu inclusive cursos rápidos (de extensão) de literatura popular na Universidade, no antigo Nell. Autor de vários livros: Sabedoria de Caboclo (1975); Glossário da Poesia Popular (1982); Matulão de um Andarilho (1994); Dicionário Biobibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancada: parceria com Átila Almeida (1977); Os Marcos e Vantagens: parceria com Átila Almeida (1981). Obras a sair: No Fundo do Matulão, Cantadores com quem cantei, Datação de Palavras, A Glosa, Memórias de um Cantador.


    Postagem: ROBÉRIO VASCONCELOS
    Fonte: JPB 2º EDIÇÃO 17/09/2011
    Blog Cordel da Paraíba

    quarta-feira, 14 de setembro de 2011

    Bibliotecários Guardiões

    Autor: Renan Wangler
    Título: Bibliotecários Guardiões


    Servos e senhores.
    Somos gestores,
    Pelo conhecimento, atores.

    Provendo transformações,
    Eternos agentes do devir.
    Trabalhamos vislumbrando o por vir.

    Somos guardiões da ação consciente.
    Da tradição, da memória,
    Da educação e dos rumos da história.

    Herdeiros dos sábios,
    Dos luxuosos porões.
    Segredos e mistérios em nossas mãos.

    Em ensinar a aprender,
    Um desafio, um pendão.
    Eis hoje nossa missão.

    Arda e farta é nossa labuta,
    Andando sem reconhecimento.
    Porém sorriam! Esse é nosso momento.

    Novas mídias, novos formatos,
    Trazendo nosso novo status:
    Porta-Vozes do futuro.

    Nossa luz não se apagará,
    Pois somos reis e peões.
    Hoje e sempre. Bibliotecários Guardiões.


    Por: Renan Wangler

    Publicado no Recanto das Letras em 08/06/2011
    Código do texto: T3022146

    Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Autoria de Renan Wangler do Blog: perfil-rw.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas
    Fonte: http://www.recantodasletras.com.br/poesias/3022146

    Teia de Cordéis - Diálogos IV... Mulheres em cantos e versos

    A literatura brasileira, seja na esfera denominada “erudita” ou “popular”, fora marcada, ao longo dos anos, pelo traço patriarcal de sua sociedade. O monopólio masculino construíra representações sobre o gênero feminino que ora denegriam sua imagem, ora vetavam seu acesso ao consumo e produção literária.


    A Prefeitura do Recife, por meio do Museu de Arte Popular (MAP), equipamento da Fundação de Cultura Cidade do Recife, convida a todos para uma boa conversa com a pesquisadora Ângela Grillo (História/UFRPE) e as cordelistas Susana Morais e Mariane Bígio sobre a trajetória feminina na Literatura de Cordel nacional e suas técnicas para driblar o machismo e a (in)visibilidade social.

    Data:14 de setembro, às 19h

    Local: Centro Cultural dos Correios (Av. Marquês de Olinda, 262, Bairro do Recife – Próximo a praça do Marco Zero)






    Por: Alesson Gois

    Coordenador de Pesquisa e Difusão Cultural MAP
    Informações: (81) 3355-3110

    CONVITE FEIRA DE LIVROS

    Por José Acaci
    Nos dias 14, 15 e 16 de setembro acontecerá a Trigésima Feira de Livros do SESC. Eu fui convidado pelo SESC a escrever um cordel(veja o anexo) falando da história e da importância dessa grandiosa feira de livros que, neste ano especial, acontecerá no Complexo Cultural de Natal (Antiga Penitenciária João Chaves), que terá suas portas abertas para visitantes, escolas ou entidades interessadas pelo livro e pela cultura de um modo geral, a entrada é franca. Foram produzidos quatro mil exemplares do cordel, que serão distribuidos gratuitamente.Na programação eu estarei ministrando Oficina de Literatura de Cordel e, no dia 15/09 às 9 h e 15 min estarei no palco apresentando o Show de cordel e poesia "Conselhos Pra Juventude".

    Espero encontrá-los lá.

    Lembrando: Complexo Cultural de Natal (Antiga Penitenciária João Chaves) - Zona Norte - Natal/RN.
    dias: 14, 15 e 16, das 8 h da manhã às 5 h da tarde.

    Um abraço a todos.


    FEIRA DE LIVROS DO SESC TRINTA ANOS DE HISTÓRIA NAS ESTROFES DO CORDEL


    Autor: José Acaci


    Que a musa inspiradora
    do gênio do menestrel
    dê-me criatividade
    pra eu botar no papel:
    trinta anos de uma feira
    nas estrofes do cordel.

    No ano de oitenta e um (1981)
    esse projeto surgiu,
    nesse tempo se chamava
    Feira do Livro Infantil,
    e se espalhou por todos
    os SESC’s desse Brasil.

    No ano dois mil e cinco
    já tava consolidada,
    e a palavra “infantil”
    foi por decisão trocada
    por “infanto-juvenil”
    e a coisa foi acertada.

    Segundo os coordenadores
    a feira é um instrumento
    de incentivo à leitura,
    que busca a todo momento
    dar o acesso à cultura,
    lazer e conhecimento.

    Foi no SESC do Alecrim
    a primeira edição
    desse grandioso evento
    em prol da educação,
    por que ensina a criança
    a ser um bom cidadão.

    Promovendo acesso ao livro,
    incentivando a leitura,
    dando espaço aos escritores,
    da nossa literatura,
    e fazendo homenagens
    a quem faz nossa cultura.

    Quem já visitou a feira
    levou na sua memória
    as palestras, seminários,
    e contações de história,
    e levou dentro do peito
    a sensação de vitória.
    Vendas e trocas de livros
    com a presença dos autores.
    Oficinas de leitura
    mostrando nossos valores:
    os brincantes, os palhaços,
    artistas e escritores.

    É o SESC trabalhando
    e cumprindo seu papel
    de promover a leitura
    usando a fórmula fiel:
    amor, leitura, poesia,
    arte, cultura e cordel.

    Todo ano a feira traz
    um tema para leitura:
    meio ambiente, folclore,
    história, literatura,
    e a valorização dos nomes
    que fazem nossa cultura.

    É o SESC incentivando
    a formação de leitores,
    a divulgação de livros,
    a luta dos escritores,
    a cultura brasileira
    e a garra dos editores.

    Eu diria que essa feira
    é um grande relicário
    do incentivo à leitura,
    mantendo o lindo cenário
    do contato criativo
    do universo literário.

    Os lançamentos de livros,
    as palestras e oficinas,
    danças, comidas e festas,
    e as culturas nordestinas
    ficam guardados na mente
    dos meninos e meninas.

    A feira se expandiu
    para o SESC Seridó,
    levando conhecimento
    ao povo de Caicó,
    e pros SESC’s das cidades
    Macaíba e Mossoró.

    A feira aqui em Natal
    é um evento de porte,
    no SESC de Potilândia
    cada vez fica mais forte,
    e também no SESC LER,
    que fica na Zona Norte.

    No ano dois mil e onze
    o SESC fez parceria
    com o Governo do Estado
    e nos deu a alegria
    de ter a junção das feiras
    de cultura e poesia.

    E para comemorar
    vamos arrochar o nó.
    Os dois SESC’s de Natal
    unidos numa feira só,
    no espaço da UERN
    vai ser de levantar pó.

    Este ano o SESC faz (2011)
    um trabalho diferente,
    com a criatividade
    de todo seu contingente,
    unindo a feira de livros
    ao tema Meio Ambiente.

    O incentivo à leitura
    é o ponto de partida
    para ensinar às crianças,
    de maneira divertida,
    que esse tema está ligado
    à qualidade de vida.

    Cada profissional
    sabe dos seus afazeres
    pra ensinar as crianças
    a usar os seus saberes,
    e para ter consciência
    dos direitos e deveres.

    É uma soma de esforços
    pra montar uma estrutura
    pra fazer a juventude,
    com carinho e com ternura,
    ter os primeiros contatos
    com nossa literatura.

    Discutindo as consequências
    do aquecimento global,
    o SESC visa trazer
    pro contexto social
    uma visão de um mundo
    mais humano e mais plural.

    A poluição do ar,
    a destruição da serra,
    o lixo que produzimos,
    as consequências da guerra,
    e todo o mal que eles trazem
    pro nosso planeta terra.

    Tudo isso apresentado
    de formas interessantes,
    usando a ludicidade
    dos artistas e brincantes,
    pra deixar bem fixado
    na mente dos estudantes.

    É o SESC abrindo as portas
    para que a comunidade
    tenha acesso à leitura
    e dando oportunidade
    do povo desenvolver
    sua curiosidade.

    Parabéns aos estudantes.
    Parabéns aos professores.
    Parabéns aos funcionários,
    artistas e escritores,
    e parabéns às crianças
    nossos maiores valores.

    Parabéns aos diretores
    por levantar a bandeira,
    e eu peço ao povo presente
    de uma forma prazenteira
    mil aplausos para o SESC
    por essa bonita feira.

    Termino aqui meu cordel
    dizendo em minha poesia:
    que Deus abençoe a todos,
    lhes dê paz e harmonia
    pra vocês e para os seus,
    fiquem com as bênçãos de Deus,
    adeus, até outro dia.

    FIM

     
    Reproduzido do Blog de Beth Baltar: http://www.blogbethbaltar.blogspot.com/ e do Blog Cordel da Paraíba http://cordelparaiba.blogspot.com/



    

    terça-feira, 6 de setembro de 2011

    Biu Laboredo e a incrível arte de fazer brinquedos -

    Publicado em 04.09.2011, às 21h30
    Bonequeiro tinha 12 anos quando vendeu os primeiros brinquedos
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    Fotos: Nilton Villanova/ Divulgação
    Breno Pires Do NE10

    Severino tinha nove anos e não tinha brinquedos. Ao bater o olho num mané-gostoso que desfilava nas mãos de seu irmão mais velho, quis um igual. Para quem não conhece esse brinquedo tradicional, seja por ser muito novo, seja porque nunca lhe ensinaram o nome, é aquele boneco de madeira colorido que dá cambalhotas quando uma mão aperta as suas hastes. O caso é que Biu, menino pobre, da roça, da cidade de Bezerros, Agreste pernambucano, não tinha condições de comprar um desses. Então lançou-se na aventura de fazer um só para si.

    Com disposição e tempo, na base do improviso, ele começou cortando na faca os pedaços de madeira. Arranjou dois pregos velhos e bateu. Para fazer a articulação do boneco, era preciso furar os braços, e o fez usando um espeto quente, que colocou no fogo até ficar vermelhinho. A fumaça quente subindo ao olho o fez chorar, mas não desistir, recorda o artesão Severino Gomes, 51 anos. “Foi meu primeiro brinquedo.”

    Biu Laboredo, como se apresenta, vive de produzir ao infinito o mané-gostoso e o carrinho de madeira, ofício da sua vida. É um autêntico fazedor de brinquedos. “Eu vivo hoje através da brincadeira da minha infância”, reflete.

    “A vida foi sempre assim, brincando e fazendo brinquedo”, diz Biu, que produz, junto com sua esposa, Lucineide, de 38 anos, e dois assistentes, no Núcleo de Produção Artesanal de Bezerros, uma média de 5.000 manés-gostosos por mês. Eles representam dois terços da receita mensal, que é completada com a venda de carrinhos de madeira e a produção de artigos de marcenaria, sobretudo para decoração de quartos infantis.




    Para fabricar e vender tantos itens, Biu e equipe não brincam em serviço. “Eu trabalho 12, 13 horas por dia. Tem dias que eu saio daqui às 11 da noite, meia-noite”, diz. Ele tem sete clientes fixos, compradores da maioria da sua mercadoria — vendida também, em menor escala, a pessoas que visitam o núcleo. Com o dinheiro arrecadado, Biu diz que dá para viver bem. “Tem que ter paciência. Trabalhar, sempre trabalhar. Não pode passar uma semana sem trabalhar. Se trabalhar, graças a Deus, dá para viver bem”, afirma.

    O bonequeiro vê em seu trabalho benefícios outros, não só econômicos. “O trabalho, quando é bom, ele é lucrativo e, além de ser lucrativo, é uma terapia. Quando se faz o que se gosta, vem também a recompensa na saúde da pessoa. Você está em casa, doente, está lá todo troncho, cheio de dor, então sai de casa, começa a trabalhar, esquece a doença. Trabalhar é uma beleza”, diz.

    E, em meio ao trabalho, a diversão sempre aparece para Biu, que não perdeu o encanto pelo brinquedo de sua infância, mesmo sendo agora uma mercadoria. “Ainda hoje eu costumo brincar. Enquanto eu estou fazendo boneco eu estou brincando. Quando pega a ferramenta pra fazer o primeiro brinquedo, já começou a brincadeira”, conta.

    Biu tinha 12 anos quando vendeu os primeiros brinquedos. Sua mãe ia para a feira vender outros produtos e levava junto a pequena produção de Biu, que não dispunha dos equipamentos apropriados para a confecção. “As ferramentas eram as facas da cozinha. Eu pegava escondido e ia trabalhar. Aprendi a fazer carrinho, mas não tinha um serrote. Meu sonho era ter um serrote”, diz ele, que encontrou uma solução. “Eu roubava escondido a serra de serrar osso do meu pai, que era açougueiro, e, enquanto ele ia para o sítio, eu ficava em casa serrando madeira, pra fazer os carrinhos.”

    Algo bem diferente de seu sistema de produção atual. “Hoje tenho na ativa três circulares, um desempeno, uma serra de fita, duas serras de tico-tico; tenho furadeira manual, tenho furadeira de bancada, tenho serra circular manual. Fora outras ferramentas pequenas. Eu diria que 80% do que precisa numa marcenaria eu tenho”, enumera.

    O artesão Biu já foi para a Feneart nos últimos dois anos, com um estande próprio, o Laboredo Artesanato. Ele faz seus produtos no Núcleo de Produção Artesanal de Bezerros, na Avenida Major Aprígio da Fonseca, 805, justo na fixa local da BR-232, no sentido de quem vem do litoral.




    TRAJETÓRIA - Antes de abraçar em definitivo a confecção de brinquedos, no entanto, Biu viveu outras experiências. Aos 16 anos, foi para o Recife estudar. Concluiu o primário (4ª série) e trabalhou no comércio e na construção. Voltou depois para Bezerros, comprou um serrote e recomeçou a fazer brinquedos, mas não teve muito sucesso e tentou novamente o comércio no Recife. Não deu certo, e ele regressou a Bezerros aos 21 anos. “Comecei a fazer alguma coisa no comércio. Vendia utensílios domésticos, fazia brinquedos. Anos depois, comprei a primeira máquina e então faço brinquedos até hoje. Já faz uns 25 anos que eu trabalho com brinquedo”, diz.

    A partir daí, o mané-gostoso virou praticamente um membro da família. “Ele está sempre em linha de frente. Não pode faltar em casa de jeito nenhum. É como se fosse o pão. Teve o mané-gostoso, tem o pão. Para você ter uma ideia, a minha decoração de casa é só mané-gostoso. Nos cantos das paredes, acho que até na cama tem mané-gostoso! Dorme fazendo, dorme sonhando que está fazendo mané-gostoso. Minha mulher uma vez disse que viu mané-gostoso andando pela casa. Aí eu disse: ‘isso aí já é fantasma’”, conta, com bom humor.

    Curiosamente, os dois filhos de Biu preferem outro tipo de brinquedo: os jogos eletrônicos, que estão em alta entre toda a garotada. Eduardo, 10 anos, adora jogar no computador e diz fazer isso por “muitas horas”. Já a brincadeira com o mané-gostoso dura “poucas horas”. Diego, 16, também é mais chegado nos eletrônicos.

    “Brincar de videogame, de jogo eletrônico, computador, essas coisas, para eles prestam, para mim não. Para mim, minha brincadeira era mais sadia. Mas tem que acompanhar o tempo, não é? Se agora, a inovação, todo mês surge um jogo diferente e as crianças gostam, tudo bem. Agora eu não concordo com isso. É uma loucura”, comenta Biu.

    Mesmo torcendo o nariz, Biu respeita os novos brinquedos. Ele defende que a criança tem mesmo é que brincar. De preferência com brincadeiras livres e com brinquedos artesanais, que ele julga serem mais saudáveis e mais estimulantes à imaginação. Mas toda forma de brincadeira é válida. “Eu acho que a criança tem que brincar. Brincar é o ideal”, diz.

    TRADIÇÃO - As brincadeiras modernas, que fascinam a garotada, não são uma ameaça aos brinquedos populares, na visão de Biu. Eles podem coexistir, até mesmo por um motivo interessante: diante da abundância das novidades (na visão dos mais velhos), o tradicional pode se tornar o novo no olhar dos pequenos.

    “O brinquedo popular é uma tradição e, ao mesmo tempo, é uma novidade. Porque a criança está acostumada só com computador, videogame e carrinho eletrônico e já está um pouco enjoada. Então, quando chega na feira, que tem uma banca de brinquedo popular, vai em cima e quer levar porque é novidade para eles. Para eles, para alguns pais. Tem criança que não sabe o que é o mané-gostoso, e tem adulto que nunca viu. As crianças acham interessante para brincar”, analisa.

    Biu Laboredo tem a convicção de que os brinquedos populares terão vida longa. “Tanto o brinquedo quanto a cultura continuam. O brinquedo popular é milenar; eu não conheço a origem, mas sei que é milenar. E ele vai prosseguir por muitos anos. A arte e o brinquedo popular”, profetiza.

    “A vida tem que ser sempre uma brincadeira e a pessoa tem que nascer criança e morrer criança. E eu acho que eu vou ser sempre criança, porque cada brinquedo que eu faço dá vontade de brincar. Faço um caminhão, dá vontade de amarrar um cordão e sair correndo por aí, sair brincando com ele”, confidencia, aos risos, empolgado com a conversa.

    Biu Laboredo, que não faz tantos planos para o futuro além de ver os filhos crescerem e gastar a sua nova cadeira de balanço até ficar velhinho, tem um desejo final.

    “Se um dia eu morrer, no lugar de flor no caixão, que botem um mané-gostoso por cima, antes de fechar ele. Para chegar lá no céu junto. Se eu for pro céu também, né? Não sei se vou. Imagina um bocado de mané-gostoso acompanhando: será que vai ter jeito? [risos]. Eu quero assim, não quero ninguém chorando, mané-gostoso pras crianças que tiverem acompanhando... Pode botar um carro de som tocando Asa Branca, de Luiz Gonzaga, que é melhor que o pessoal chorando. (...) Mas eu não vou morrer, não, nunca. Enquanto tiver criança no mundo, eu não morro. Se eu morrer, quem vai fazer brinquedo para as crianças?”

    Fonte: JC Online - http://ne10.uol.com.br/canal/cotidiano/vidas-em-perfil/noticia/2011/09/04/biu-laboredo-e-a-incrivel-arte-de-fazer-brinquedos-295172.phpCOTIDIANO
    Pernambuco - 05.09.11 - Atualizado às 11h40

    CANTORIA: OS NONATOS

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